A tomada de consciência de direitos e apoios nomeadamente jurídicos por parte dos alvos de violencia, é fundamental.
Igualmente importante é a independencia e auto-segurança emocional, verdadeira génese de todas as outras.
Há, por exemplo, quem eduque numa base de diferença de género em que é importante agradar e moldar-se às expectativas exteriores para a mulher e numa base de assertividade e conquista para o homem...
*(Abençoadas as rebeldes de espírito... delas serão as vitórias!)))
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Os testemunhos das mulheres são tidos como pouco credíveis pela sociedade em geral e, por isso, muitas mulheres sentem-se prisioneiras isoladas no seu mundo de violência. Muitas vezes, de vítimas transformam-se em acusadas; poucas acreditam na possibilidade de se libertarem da perseguição dos agressores ou de que estes venham a ser punidos. Suportam o insustentável porque pensam que estão a proteger os seus filhos, ignorando que, ao fazê-lo, estão a alimentar uma espiral de violência que levará a que alguns deles sejam mais tarde, novos agressores.*UM CASO LAMENTÁVEL, ENTRE MUITOS...
*O da passada semana: uma adolescente brasileira -Eloá, é encarcerada na sua própria casa pelo ex-namorado tambem extremamente jovem mas não tanto que não seja portador de uma arma de fogo. Junto à jovem estão tambem uma e dois colegas de escola posteriormente libertados. O resto da história tem várias voltas e é puro terror ; a condução da mesma do ponto de vista policial, ou me engano muito ou poderia ter sido bem mais eficaz.
No final, o saldo é a jovem Eloá morta por uma bala cuja origem não é até à data tão clara como seria desejável, a colega que após libertada regressou ao apartamento (!) ferida e o sequestrador preso.
*Pelo meio uma incompreensível e deslocada compreensão da polícia:
**O comandante da ação policial de resgate de Eloá declarou que não atirou no agressor por se tratar de "um jovem em crise amorosa", num reconhecimento ao seu sofrer. #
E o sofrer de Eloá? Por que não foi compreendida empaticamente a sua angústia e sua vontade (e direito) de ser livremente feliz?
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Eu, que acho intelectualmente estimulante e justo o contraditório deixo a pergunta invertendo posições: será que se o mesmo acto lamentável de sequestro fosse protagonizado por uma jovem mulher desiquilibrada e inconformada com o fim da relação ela seria alvo de tanta doce compreensão por parte da polícia?...
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*AS PALAVRAS CERTAS PARA TODOS ELES:
(artigo de Maria Dolores de Brito Mota - Socióloga, professora da Universidade Federal do Ceará e Maria da Penha Maia Fernandes encontrado primeiramente no mulheres&deusas da sempre atenta e interveniente Rosa Leonor Pedro) * * *
Um
caso. Aqui em Portugal, nas ilhas.
*Embora faltem elementos, do exposto ressalta a inoperancia do sistema jurídico, que não protege eficazmente uma cidadã sob ameaças e que no caso é a única a tomar medidas coerentes com a situação.
O próprio meio em que se insere a agredida, nomeadamente familiares, parecem fazer o jogo do agressor, validando assim socialmente as suas atitudes...
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Até ao dia de hoje não apanharam o agressor, um monstro. Culpa da PSP do Funchal, Polícia Judiciária e Ministério Público. Desloquei-me muitas vezes a qualquer uma destas Autoridades, o que me diziam, para esperar que ele seja chamado para prestar declarações.
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UM PONTO DE VISTA:
Vocês se lembram de um caso que ocorreu no Rio há oito meses atrás, quando um homem, que achava-se traído pela esposa resolveu mantê-la, juntamente com mais 38 vítimas, sob a mira de uma arma dentro de um ônubus durante mais de 10 horas?
Então, como foi divulgado, a digníssima esposa acusada pelo marido de “puladora de cerca” resolveu perdoá-lo e voltou para seus braços. Resolveu desconsiderar as muitas agressões físicas que sofreu diante da brutalidade e do descontrole emocional do marido.
Bom, isso não causa espanto algum a alguém que labute na Polícia. Diariamente, em todas as Delegacias, chegam casos de mulheres que foram agredidas por namorados, maridos, amantes, filhos, pais. Lesões das mais variadas, especialmente nos braços e rosto. Olhos roxos e inchados, dentes quebrados, lábios cortados. Denunciam que o homem é viciado, alcoólatra, e que tem uma arma em casa. Daí quando o sujeito vai preso, é só contar as horas, daqui a pouco vem elas, trazendo ventilador, roupas limpas e colchonete. - “Pode entregar pro fulano, ele pode estar passando frio…”.
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Violencia, violencia doméstica, violencia física:*
uma anormalidade denunciadora de profundo mal-estar (golpeia-se o que devíamos prioritariamente proteger...
e porque tem tudo a ver:
*Para reflectir.
e não ficar, nunca, indiferente à violencia,
seja qual for a sua manifestação!
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