Thursday, July 09, 2009

Relato de um homem normal...


que sempre criticou o vegetarianismo, mas deixou de comer carne.

Um texto muito equilibrado sobre a práctica do vegetarianismo colocado na forma coloquial. Vale a pena dar uma olhada.

O mundo está caminhando para a beira do abismo e todos sabem disso. Superpopulação, poluição, destruição da natureza, esgotamento dos recursos naturais, violência, ignorância, fome, doenças, corrupção. Tal fato é facilmente constatado no seu dia-a-dia ou através de jornais. No entanto, o que você está fazendo para resolver os problemas do mundo? Como você está agindo para se tornar um ser humano melhor e digno de habitar este planeta?
Se de repente você deixar de comer carne, alguma coisa irá melhorar? A grande maioria vai continuar comprando aquela empadoca de carne com azeitona no terminal depois do serviço, os animais continuarão morrendo para virar comida e mundo continuará com seu curso usual. Por que se tornar vegetariano? “Você sozinho não vai mudar nada”, é o que se ouve o tempo todo.

...texto...

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Leia tambem
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(link da A.D.A.)

Wednesday, July 08, 2009

Take me Home



gosto imenso desse menino...
que é tambem colega de signo e surprendente como muitos aquários são!
=)

Tuesday, July 07, 2009

adeus,Michael.até sempre.


(letra)
Sinto-me particularmente à vontade para falar de Michael Jackson. Não era fanática dele e da sua arte embora gostasse e fosse um prazer vê-lo executá-la. Aliás não gosto de endeusar pessoas seja em que área for. Nem de demonizar. Pessoas são isso mesmo, pessoas: seres cheios de contradições e imperfeitos por natureza. Uns mais harmoniosos e com certas áreas mais bem resolvidas, outros menos.

Pedofilia é certamente dos crimes mais cobardes e hediondos que existem. deve ser fortemente prevenido e sancionado. Ser acusado de um crime sem o ter cometido é certamente algo profundamente injusto e potencialmente destruidor, diria que é igualmente um crime profundamente cobarde e hediondo.

Mas como já deixei aqui presumo que suficientemente patente, eu estou do lado dos que acreditam na inocencia de Michael Jackson no que respeita à práctica de pedofilia. E acredito nisso absolutamente.

Uma amiga, dona de um sexto sentido a que o tempo costuma dar razão de forma quase assustadora, verbalizou o que me pairava na mente resumindo o seu sentir em curtas palavras - MJ molestar crianças? Nem pensar! Não acredito nisso. E rematou - Nesta vida, ele só fez mal a ele próprio -aludindo à manifesta dificuldade que ele tinha em lidar com a adversidade.
*
O caso dele confesso que me interessa mais enquanto reação de massas, fenómeno sociológico de amor-ódio, do que drama pessoal de alguem que, com uma bagagem de boas razoes trazidas da infancia se recusou a crescer e endurecer (e é possivel endurecer sem perder a ternura, gente!) Obviamente a vertente de sofrimento individual tambem aqui é tida, e muito, em conta, mas a partir de um certo grau de mediatismo toda a individualidade vira símbolo do colectivo anónimo.

*

O Senhor Universo, que tem um sentido de humor muito próprio, colocou-me de pára-quedas na passada semana numa situação inédita para mim: fui a única testemunha presencial e visual de um facto acontecido e impossível de provar a não ser desse modo -estando presente e vendo. Um dia depois havia quem -não tendo estado presente, dissesse em alto e bom som -eu vi! e partisse para uma descrição diametralmente oposta ao acontecido e que implicava na culpabilização de alguem inocente
Quando numa epifania descobri a sincronicidade entre o episódio que testemunhei e a minha postura no caso de MJ só pude sorrir, e pensar que se algo relativamente insignificante e anónimo se passa num pequeno círculo, tambem se deve passar certamente muita vez em escalas maiores

*

Se eu tinha algo para dizer tinha que ser agora.

Porque daqui a uns dias já ninguem quer saber...

e já ninguem pode ouvir falar disto.

Num mundo cada vez mais superficial nem sequer é politicamente correcto aprofundar ou insistir seja no que for. Há que partir rápidamente para a proxima notícia, a próxima relação, o próximo escandalo ou o próximo sucesso.
Talvez as almas mais sensíveis possam pensar duas vezes quando uma acusação é feita e fazer elas próprias um saudável contraditório interno: "será que é como toda a gente diz?"
Em termos sociais parece que é sempre necessário haver umas quantas vítimas apedrejadas mentalmente até à morte para aprender qualquer coisa tão simples como somos inocentes até ser feita prova de culpa.
como se sempre tivesse de haver mártires de um qualquer karma colectivo.
*
Mas eu quero assumir o que sinto como verdade, e só posso juntar a minha voz à deste blogueiro não só em todo o texto mas muito especialmente quando diz que Michael Jackson era um homem hiper-sensível, talvez a um nível que muitos nunca compreenderiam.

o que é mais uma razão para dizer tambem

Descansa em paz, onde quer que estejas, Michael – o mundo decente sentirá a tua falta.

*

Tocantes palavras de Quincy Jones: perdi meu irmão mais novo hoje, e parte de minha alma se foi junto com ele".



Monday, July 06, 2009

como te entendo, Johnny Depp!


[...] Ora bem, génios já são, por si, anormais e dados a almas eremitas. Mas o Johnny Depp está mesmo a passar-se. Casou com uma francesa, sinal vermelho de que há por ali espírito do contra. Faz filmes com o Tim Burton e com o Terry Gilliam, quer dizer, coisas tétricas ou cheias de drogas endeusadas pelo Hunter Thompson. Agora comprou uma ilha nas Antilhas e, diz-se, vai receber 60 milhões de dólares pelo Piratas das Caríbas 4, que a Disney já tem em produção. Muito dinheiro, muita fama e muita necessidade de isolamento não dão, regra geral, bom resultado. Vejam o caso do John Foster Kane. Ou do Marlon Brando, com os últimos anos da vida ocupados a gerir filhos homicidas ou suicidas. Fica o pedido: Johnny, não enlouqueças tão cedo.
Resposta dele: "Já está a acontecer", disse o actor em relação à possibilidade de se transformar num shut-in germofóbico tipo Howard Hughes ou num exilado civilizacional em estilo Mosquito Coast. Mas, socorro!, será que não tem medo de que essa tendência anti-social se transforme numa patologia? "Não estou preocupado. Esse tipo de patologia não me incomoda. A sério que não. Se a escolha que me é dada resume-se a: ter de passar a vida a ser observado ou ter de viver sentado numa cadeira num quarto às escuras, claro que vou preferir o quarto às escuras. A definição daquilo que é normal tem-se expandido. Não é o que era".
what?!?

há notícias que me dão vontade de fazer umas malinhas e ir passar uma belissíma temporada a uma ilha maravilhosamente deserta.
mas talvez seja eu que não tenha sentido de humor, porque, ha,ha,ha, afinal, qual é o mal?!
Há, de facto, muito a dizer sobre este filme mas, para não fugir à minha rota lustrosa feita de baba de lesma, a única coisa que quero saber é como é que os pais do bebé deixaram que o filho fosse usado nas cenas da masturbação, de facto um dos momentos altos desta ressaca debochante acompanhada de colapso moral. [...] sentei-me a escutar o realizador Todd Phillips em pleno Caeser's Palace. "A ideia foi do Zach. Tinhamos muitos bonecos à nossa disposição, para podermos ensaiar as cenas do bebé ou para podermos fingir que havia ali um bebé a sério. Um dia o Zach está a brincar com um dos bonecos de borracha, chega-se ao pé de mim e, com a mão dele a guiar a mão do boneco, finge que tem ali um filho bebé a masturbar-se. Eu, que continuo a ter 14 anos na alma e no coração, escangalho-me a rir. Digo logo que, no do dia seguinte, vou meter essa ideia no filme. [...] Para a cena não iamos usar um boneco mas um bebé real. Era preciso autorização. Resolvi logo que, de todos os bebés disponíveis, ia escolher aquele que tinha um pai fã do meu filme Old School. Aliciei-o com a ideia de o filho, apesar de bastante jovem, poder fazer parte de uma comédia tão histórica como o Old School. Que cenas gostava o pai da criança quando via o Old School? Pois, nem mais! O filho podia agora fazer parte de uma cena igualmente hilariante. Apesar disto o pai disse logo que nem pensar, que mostrar o filho recem nascido naquela vergonha nunca iria ser aceite pela esposa. Assegurei que a esposa não tinha de estar presente a esse dia das filmagens. Ficava tudo entre nós. O pai acedeu. No dia seguinte, estavamos a fazer a cena à revelia da mãe do bebé mas ela aparece. Foi na piscina do Caeser's Palace. Aparece e põe-se logo aos gritos com o marido. Quando vem defrontar-me, não dou parte fraca. Digo-lhe que sim, que falara com o marido mas que tinha presumido que o acordo era comum. 'O quê, ele não obteve a sua aprovação? Que estranho? Julguei que era assim que vocês funcionavam'. Mandei-a mesmo pelo rio abaixo, sem remos e em direcção às cataratas", disse-lhe Phillips, confirmando que Hollywoold continua, sorte nossa, a não ter piedade dos bons costumes. "Sei hoje que a mãe do bebé gosta mesmo do filme. Está felicíssima com o resultado final". Claro que está. Hollywood adora finais felizes. Alem disso, quando a cena mete masturbação, regra geral é que se registe um grande prazer a acompanhar as palavras The End.
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no mesmo jornal,

os delírios em cima da imagem criada e vendável...

mas... 0% de atenção ao ser humano atrás da imagem.

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what ?!? II

Milk of Amnesia
O propofol é uma substância delicada. Dos estagiários hospitalares que se tornaram dependentes, 40% morreram de overdose. Há casos de médicos que passaram a pescar embalagens nos caixotes do lixo da secção de cirurgia só para poderem aproveitar as últimas gotas. Um bocadinho coloca uma pessoa a dormir, mas um nadinha mais provoca facilmente uma paragem total do relógio coronário.
É usado na veterinária, nas salas de operação, e nunca, mas nunca, está disponível ao público. Controladíssima, é uma substância capaz de parar o coração se for tomada em excesso. Branca, brilhante, parece-se com leite.
Os anestesistas gostam de brincar com o poder daquela fusão química. Referem-se ao propofol com a expressão Milk of Amnesia. A evasão corpórea é total, como todos aqueles que já foram operados sabem. Não se trata de apenas estancar a dor, seja ela física ou existencial. A remissão para uma vida paralela é instantânea. O cérebro não fica apenas adormecido. Fica suspenso e vai viver outra vida melhor.

Curiosamente, num estudo publicado recentemente sobre o uso daquela substância entre a classe anestesista, os números apontaram numa direcção interessante. A maioria dos dependentes, sobretudo no escalão feminino, tinha sofrido traumas quando criança, por vezes violações, por vezes outros maus tratos físicos de natureza sexual. Para estes, o propofol vinha mesmo a calhar: tal como quando usado legalmente para anestesiar um paciente na sala de operações, o indivíduo necessitado injectava-se e ficava imediatamente inconsciente. Durante uns momentos era livre de flutuar para alem daquele corpo.
Omar S. Manejwala, médico que dirige o William J. Farley Center na Virgínia, um centro de recuperação e reabilitação que dá atenção especial aos casos de abuso de substâncias entre o pessoal médico, disse: "Um dos traços comuns das desordens psicológicas resultantes de um grande trauma é a hiperactividade maníaca. Há um esforço contínuo para bloquear mentalmente o que se passou".

De cura para as insónias, o fármaco evolui para cura de tudo o resto. Facilmente se torna indispensável. Manejwala reiterou a ligação entre um facto e outro. "Nunca vi uma ligação tão forte entre um medicamento e a possível incidência de trauma, sobretudo trauma de índole sexual. É realmente espantoso".
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(ao ler os comentários ao artigo encontrei um de alguem que se dá a conhecer como médica veterinária e retira algum brillho ao sensacionalismo fácil e excessivamente superlativo do artigo em favor do rigor técnico. Ainda bem, mas a questão de fundo para mim foi casos de abuso de substâncias entre o pessoal médico. Ok. Parece que quem chama a si a missão de curar corpos alheios tambem sucumbe à dor de viver no mundo.)
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imagem

pessoas... que mudam de opinião e comportamento com mais velocidade que a lua muda de fase ...

Não foi assim há tanto tempo que os jovens urbanos, sobretudo os negros, só ouviam hip hop enquanto iam ao volante. Janelas abertas, carro implodindo de potência stereo e muito hip hop para acordar a vizinhança. Yo, testosterona! Wassup? Não havia alma que se atrevesse a ouvir Michael Jackson, o magro, o branco, o fraco, o antigo. Hoje, é só ele quem canta em cada viatura que passa aos gritos. Em cada carro, uma homenagem. Los Angeles rende-se à despedida do invencível com hinos a 100 à hora. De facto, um thriller.

Sunday, July 05, 2009

o efeito 'montanha russa'

Alguem que viveu de certeza o efeito montanha russa na opinião pública foi Michael Jackson,
de histéricamente idolatrado a alvo de acusação e eterna suspeição, mesmo depois de ilibado judicialmente.
Como se houvesse toda uma bolsa invísivel de raiva global que é preciso despejar em cima de alguem a jeito, que sirva de catalizador, urgentemente. Vê-se o fenómeno cair em desgraça acontecer todos os dias nas mais diversas escalas; banais situaçoes familiares, sociais, laborais, políticas, financeiras... e claro, no mundo artístico.
De repente o/a amado torna-se no monstro dos nossos colectivos medos e alvo de fúria destruidora mais ou menos explícita; da piadinha cinicamente engraçada e corrosiva ao isolamento ou ataque mais frontal, a vampirização destrutiva começa.
E onde está a estrutura e capacidade de lidar com isso tudo?!
Humm... até desconfio porque a maior parte das pessoas que passa por essa prova lida tão mal com ela: estarem em estado de pedintes de amor, voltados para o exterior, a espera de nutrição e aprovação vinda dos outros, quando primeiramente teriam de a encontrar dentro de si mesmos para realmente a sentirem.


Tempos de relativa normalidade no casamento com Lisa Marie Presley, segundo ela romance de dois apaixonados e não casamento de fachada - como muita imprensa quis dar imagem.

Num artigo, Randy Taraborrelli -um jornalista que se dedica a escrever biografias de celebridades, fala de vários episódios na vida de MJ, nomeadamente na falta de identificação que Jackson sentia ao ser testemunha das traições matrimoniais do pai, além da tentativa dele avisar e preservar uma rapariga da conduta sexual predatória dos irmãos:

[...] Aged 14, he intercepted a girl named Rhonda Phillips on her way to an after-show assignation with his brother, Jackie. 'Don't go,' Michael pleaded with her.
Rhonda asked why not. 'My brothers don't treat girls too good,' he responded. 'Don't go.'
Rhonda ignored his advice, went to Jackie's room anyway, had sex with him - and was ushered out less than half an hour later, feeling utterly used.
She was walking down to the street when a white Rolls-Royce pulled up. Michael got out and asked if she'd had sex with his brother. 'Yeah,' she answered and began to cry.
'Did he make you do it?' he asked. 'No,' she said. 'I wanted to.' 'You wanted to?' said an astonished Michael. 'But why would you want to?' Michael never followed his brothers' interest in groupies.

(Dando o que as pessoas querem ver: performance de MJ, com Billie Jean, música a par de um episódio na vida real -acusado por uma fã de ser pai do filho)

último vídeo de ensaio, não me parece tão magro e fora de forma assim...

* * *

(e como já muita gente me perguntou quem é a loura da guitarra, fica a informação: ela é Orianthi e sim, toca guitarra eléctrica espectacularmente)

Saturday, July 04, 2009

onde se fala de homens risonhos. (e jeitosos!)



Confesso que esta polémica me apanhou de surpresa. Desconhecia-a por completo.
Segundo os dados que entretanto tomei conhecimento, o filme jean-charles (relatando o assassinato por engano pela polícia londrina de um emigrante brasileiro confundido com um terrorista na paranóia à escala mundial pós-11 de Setembro) foi dirigido por Henrique Goldman, cineasta brasileiro agora radicado em Londres.

A questão central é: sendo o próprio director Henrique Goldman alvo de polémica enquanto acusado de estupro e sexismo, estaria certo boicotar o filme (prejudicando assim tambem outras pessoas, actores e restante equipa que não tem nada a ver com o assunto?) ou, em nome da divulgação ao mundo de um facto profundamente lamentável e condenável, não o boicotar?

Não é uma questão fácil.

Encontrei no Escreva Lola Escreva -e posteriormente em mais blogs, mas este tem um desenvolvimento mais concentrado do assunto em dois posts cheios de informação e debate, comentários incluidos. Além de muitos outros posts interessantes.
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Sobre a acusação de que H Goldman é alvo:
Curiosamente foi originada pelo próprio quando atraves de uma crónica supostamente conta um episódio que teve de imediato a interpretação pública de confissão de violação.
Quando a reacção pública começou a atingir proporções não previstas foi altura de vir a público desmentir e invocar ficção.
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A nível pessoal, independente de ser real ou ficção, acho a crónica do maior mau-gosto, canastrona na sua pseudo boa-intenção e terrivelmente egóica. Parece que o fim último é aliviar uma consciencia pesada, sem consideração pelos eventuais sentimentos actuais e direito à privacidade das demais pessoas envolvidas no processo.
Qualquer acerto e pedido de desculpas só faria sentido privadamente, entre os próprios.
Demitir-se de responsabilidades no processo, culpar as hormonas e o país deixam-me grandes dúvidas sobre maturidade.
E já agora dá jeito já ter prescrito.
Ou seja, verdade ou ficção, mais valia ter estado caladinho

Fala aí, ô!

EleanorRoosevelt para a posteridade - Riverside Drive at 72nd Street
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FAÇA O QUE VOCE SENTE QUE ESTÁ CERTO EM SEU CORAÇÃO, VOCE SERÁ CRITICADO DE QUALQUER MANEIRA.

(ELEANOR ROOSEVELT)
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Frases de alguem que mostra conhecer bem a natureza humana... e uma das Primeiras Damas mais interventivas e influentes que a Casa Branca já conheceu.

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Você precisa fazer aquilo que pensa que não é capaz de fazer.

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A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo.
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O importante é isso: Estar pronto para, a qualquer momento, sacrificar o que somos pelo que poderíamos vir a ser.
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Se alguém trai você uma vez, a culpa é dele. Se trai duas vezes, a culpa é sua.

Friday, July 03, 2009

Angel of Harlem

Texto a ler sobre o quanto o racismo é um dos flagelos mais insidiosos da nossa sociedade. Embora a partir do caso MJ, as observações transcendem-no. Podem-se adequar igualmente quando falamos de especismo, sexismo ou qualquer tipo de discriminação. Em todos esses casos existe o desprezo, a minoração de importancia e eventual dificuldade que pode ir até à morte, de milhões de vidas.

[...] todos se manipulam, isto é, viver é modificar a si mesmo, se governar, ser influenciado e influenciar. O problema é quando nos modificamos colocando em risco nossa própria vida. O racismo tem esse poder. Não se trata de definir se somos vítimas ou livres das forças acachapantes que nos atravessam pelos meios de comunicação, escola, universidade, forças produtivas, família, Estado, etc.
O que está em jogo não é definir se Michael Jackson era mais vítima ou mais autônomo. Em certa medida, todos somos produtores e produtos, simultaneamente, do meio e de nós mesmos. Michael Jackson foi mais um autor e uma marionete da política de racismo. o que distingue as pessoas são os instrumentos que elas dispõe que associados com as intenções pode fazer a diferença entre o grau de autonomia e o grau de assujeitamento e submissão.


(texto completo)



Angel of Harlem, uma das músicas escolhidas pelos U2 nos últimos dias para homenagear Michael Jackson que é tambem o autor da letra.
(as letras das canções de MJ eram maioritariamente compostas pelo próprio e iam reflectindo as suas próprias experiencias)
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Foi um dia frio e molhado de dezembro
E nós tocamos o chão de JFK
A Neve derretendo sobre o chão
Em BLS ouvimos o som de um anjo
New York é como uma árvore de natal
A noite, essa cidade pertence a mim, anjo
Amor materializado, e esse amor não me deixará ir
Até mais, anjo de Harlem
Terra de pássaros na cinquenta e tres
As ruas funcionam como uma sinfonia
Pegamos John Coltraine e o amor supremo
Mile´s e ela parece ser um anjo
Lady Day tem olhos de diamantes
Ela vê a verdade atrás das mentiras,
amor materializado, e esse amor não me deixará ir
Até mais, anjo de Harlem
Anjo de Harlem
Ela diz que isto é o coração,
o coração e o soul
Luz azul pela avenida
Deus sabe que eles presentearam para você
Um copo vazio, o canto da dama
Olhos assoberbam- se como de um maníaco
Cegamente, você perdeu seu caminho
Pelos passeios das ruas e o caminho
Como uma estrela explodindo na noite
Caindo pela cidade em plena luz do dia
Um anjo com um calçado de demônio
Salvação pelo blues
Você nunca pareceu um anjo
yeah, yeah, anjo de Harlem
Anjo, anjo de Harlem

Wednesday, July 01, 2009

mais um livro lido! :-)



Dividida entre mil solicitações e mais livros, só agora acabei de ler A Minha Herança de Barack Obama. Gostei e de facto tem ritmo de romance, como já alguem disse. Sobretudo transparece nele a capacidade de observação, empatia e sensatez que conduziram o autor com êxito através de todos os seus desafios pessoais.
O livro fecha assim, com a cerimónia de casamento de Michelle e Barack.

Na entanto, a pessoa que mais me deixou orgulhoso foi Roy. Na verdade agora chamamos-lhe Abongo, o seu nome Luo, porque, há dois anos, decidiu reafirmar a sua identidade africana. Converteu-se ao Islão e jurou renunciar a carne de porco, ao tabaco e ao alcool. Continua a trabalhar na sua firma de contabilidade, mas fala em regressar ao Quénia quando tiver dinheiro suficiente. Com efeito, quando nos encontrámos em Home Sequared, andava atarefado com a construção de uma cabana para ele e a mãe fora da propriedade do nosso avô, de acordo com a tradição Luo. Disse-me que o seu negócio de importação progredira e que esperava que em breve desse o suficiente para empregar Bernard e Abo a tempo inteiro. E quando fomos juntos até à sepultura do Velho, reparei que finalmente, havia uma placa no local onde estivera cimento nu.
O novo estilo de vida de Abongo deixou-o magro e com o olhar limpo e, no casamento, parecia tão digno com a sua túnica africana, negra debruada a branco, e chapéu a condizer que alguns dos convidados o confundiram com o meu pai.
[...]
Não que essas alterações que sofreu estejam isentas de tensão. Tem tendencia para fazer longas perorações sobre a necessidade que o homem negro tem de se libertar das influencias venenosas da cultura europeia e censura Auma por causa daquilo que chama os seus hábitos europeus. As palavras que diz não são totalmente suas e por vezes pode parecer rígido e dogmático. Mas a magia do seu riso continua a existir e podemos discordar sem rancor. A sua conversão proporcionou-lhe um terreno sólido para se firmar, um orgulho pelo seu lugar no mundo. Vejo a sua confiança crescer sobre a sua base; começa a aventurar-se noutros terrenos e a fazer perguntas mais difíceis; começa a libertar-se das fórmulas e dos slogans e a decidir o que é melhor para ele. É um processo inevitável porque o seu coração é cheio de bom humor, a sua atitude para com as pessoas demasiado gentil e propensa ao perdão, para que se contente com encontrar soluções simples para o quebra-cabeças de ser um negro.
Perto do fim da festa observei-o a fazer um grande sorriso para a câmara de vídeo, com os seus longos braços estendidos sobre os ombros da minha mãe e de Toot, cujas cabeças mal atingiam a altura do seu peito.
-Eh, irmão - disse-me, enquanto me dirigia para os três. - parece que agora tenho duas novas mães.
Toot deu-lhe uma pancadinha nas costas.
E eu tenho um novo filho - retrucou ela, embora quando tentou dizer "Abongo" a sua língua do Kansas tenha tornado o nome irreconhecível.
O queixo da minha mãe começou a tremer outra vez, e Abongo ergueu o seu copo de ponche de frutas para fazer um brinde:
- Àqueles que não estão aqui connosco - disse.
- E a um final feliz - acrescentei.
Vertemos as nossas bebidas no chão de mosaico axadrezado. E nesse momento, pelo menos, senti-me o mais feliz dos homens.

Tuesday, June 30, 2009

Alguem que parte...

Pina Bausch deu por encerrada a estadia no planeta terra hoje, bruscamente.

A notícia encontrei-a aqui. Notável é o video lá incluido e a idade da dançarina, 100% natural e desenvolta nos seus 68 anos -como todos deveriamos ser!

:)

Eu escolhi para aqui um dos meus favoritos:



um pouco sobre Pina Bausch

a forma, o conteúdo e a busca da perfeição


segundo se diz aqui, o ser humano Michael Jackson, teria este aspecto aos cinquenta anos se tivesse seguido em frente com o programa mais comum a qualquer mortal: genéctica e tempo -sem ajudas externas, muito menos a de estécticas mal sucedidas.

Esse é um ponto que sempre me fez confusão: como alguem com tantos recursos materiais, teve técnicos ao serviço da medicina estéctica tão fracassados no objectivo

Numa sociedade que valoriza mais a forma que o conteúdo, havia que superar-se e buscar um ideal de perfeição; ultrapassar género e todas as barreiras, tentar alcançar uma imagem ideal como meio de comunicação

*

*E já agora, o que todos (menos os vampiros-por-gosto da vida alheia) desconfiávamos fortemente à muito, começa a mexer:

Rapaz que acusou Michael Jackson de pedofilia terá mentido

* estou tão surpreendida... Ô.ô *

(aqui a mesma noticia que já circula como pólvora

-é que apesar de estar por confirmar a veracidade de autoria e qualquer um poder produzir o texto, penso que a verdade é por aí)

* * *

Encontra-se muito fácilmente nos comentários do dia a dia a postura típica não-me-façam-sair-da-minha-zona-de-conforto... as frases sobre o dinheiro não dar felicidade (claro que não dá... per si, mas ajuda à independencia necessaria a uma vida com dignidade se usado correctamente) ou como os artistas acabam todos malucos ou doentes...
Nada mais falso, rss... há muito artista em várias áreas com alta capacidade de se cuidar e preservar e simultaneamente ter elevadas perfomances artisticas. Por outro lado sobram pessoas comuns e anónimas bem malucas e doentes
*suspiro*
Fico sempre com a sensação que qualquer ser sai apequenado de generalizações. E que elas reduzem a inteligencia de quem as verbaliza.

*
No reino das afirmações negativas há uma que aceito facilmente sobre MJ: uma vida trágica, porque de facto foi. Já quando se diz que levou uma vida miserável, não podia estar mais em desacordo: ele foi marcante, teve muitos momentos especiais de comunhão grandiosa com a multidão em palco e isso é uma magia de emoção muito especial que a maioria das pessoas não conhece, saiu de uma vida insignificante e sofrida para um impacto mundial na cultura e arte de uma geração e isso não acontece em vão a uma alma. Isso é tudo, em última análise, bastante grandioso.

* * *

Ben, nós dois não precisamos mais procurar

Nós dois achamos o que estávamos procurando

Com um amigo para chamar de meu

Nunca estarei sozinho

E você, meu amigo, verá

Que tem um amigo em mim

Ben, você está sempre correndo aqui e ali

Você sente que não é querido em lugar algum

Se algum dia você olhar para trás

E não gostar do que você achar

Há algo que você deveria saber

Você tem um lugar para ir

Eu costumava dizer "eu" e "eu"

Agora é nós, agora é nós

Ben, a maioria das pessoas mandaria você embora

Eu não escuto uma palavra do que eles dizem

Eles não vêem você como eu vejo

Eu gostaria que eles tentassem

Tenho certeza de que eles pensariam novamente

Se eles tivessem um amigo como o Ben

Como o Ben...

(circula que esta foi a composição de Michael Jackson em criança para um ratinho que lhe servia de confidente. Anos mais tarde seria a música de um filme típico da época de então, o género terror estava em voga: Ben, O Rato Assassino (Ben) )

* * *

Sunday, June 28, 2009

o massacre social do diferente - *um pouco mais de análise!*


(foto)

Michael poderia ser hoje um homem de meia idade de belos traços negros, mas deixou-se convencer por uma sociedade idiota que era feio e quis mudar tudo para ser aprovado. O resultado, como sabemos, foi rigorosamente o oposto...



Nos últimos anos MJ dedicou-se quase só aos filhos para quem agora é uma possibilidade ficar com a avó paterna até à maioridade.



Em ultima instancia, o caso MJ é para mim algo com contornos sociológicos interessantes de detalhar...

De facto porquê tanto medo e consequente necessidade de atacar quem é diferente?

Algumas palavras dignas de reflexão sobre o que só pode ser catarse coletiva a um ódio inexplicável abordadas em dois livros que espero poder ler em breve: Banalogias de Francisco Bosco e Para entender Michael Jackson: ideias contemporâneas, de Margo Jefferson

Saturday, June 27, 2009

His Music Will Live Forever... (e cerebralizando um pouco)

Bem no final da quinta feira, quando colocava ordem numa das minhas contas de mail que é tambem um portal de informação, aproveitei para aprofundar um pouco sobre a notícia da morte de Farrah Fawcett que corria solta desde as primeiras horas do dia. Enquanto a notícia abria tive ainda tempo de olhar o título de outra: "Michael Jackson hospitalizado". Lida a noticia de uma morte quase anunciada mas bravamente combatida, desviei o olhar para a televisão com o som off . Na Sky News aparecia a frase que devia lá estar nas próximas horas quase interruptamente: Michael Jackson has died.
Fiquei muito séria a olhar e coloquei o som.
Onde é que eu tinha mesmo perdido o fio da história?!
Depois de aceite a realidade, um pensamento:
Madre Teresa e Diana... a morte brusca e controversa da segunda pessoa "abafou" o destaque da primeira
Farrah Fawcett e Michael Jackson, no mesmo dia a morte ainda que prematura mas por doença da primeira seria abafada pela surpresa total que constituia a de MJ.
*
Vídeo Black or White (incorporação desativada)
tempos de sucesso...
*
De Michael Jackson diz-se muita coisa, sempre se disse.
Actualmente diz-se até que a sua morte não é real, é fabricada. Ou que já aconteceu faz tempo. Isso tambem é comum no caso das celebridades.
Proliferam as duvidas sobre sexualidade e pedofilia. Há textos agressores e textos defensores e há os que remetem o assunto a Deus, e lavam daí as suas mãos.
Pessoalmente tenho MJ em alta consideração enquanto artista. Enquanto ser humano, acredito que fosse mais benigno que maligno. Não era um ser humano perfeito, -ninguem é (?) mas curiosamente para mim as falhas dele tem mais a ver com uma certa carência mal resolvida, ingenuidade e alta voltagem que com um carácter deliberadamente negativo. Parecia-me bem triste nos últimos tempos. E confessou-se solitário. Muito. Quando talvez a verdadeira vontade fosse um resgate de paz e amor que nunca teve. As duas palavras que usou no único concerto que deu em Portugal: Paz e Amor. Sobra-me a sensação que nunca foi bom a defender-se da maldade alheia. Como as crianças. A mídia que idolatra é a mesmíssima que destroi e gosta de ver sangue. E que se for preciso volta a idolatrar. Parece que ele demorou muito a perceber isso e o corpo não espera.
Das várias coisas que tenho lido sobre ele enquanto pessoa, deixo a mais decente e equilibrada que encontrei até agora. Não preciso de dizer que concordo linha por linha.

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/anoitetoda/index.phtml?id=899779&com=1#comentario

* * *
Antes que os defensores dos animais me caiam em cima (eu tambem sou!) vociferando contra o facto dele preparar a intervenção de vários animais selvagens (e guerreiros de tribos africanas)nos espectáculos programados para este verão, informo já que fui uma das pessoas que assinei manifestos de protesto e repudio contra isso. Michael provávelmente tinha a intenção de fechar a sua carreira com espectáculos invulgares e grandiosos. Muito provávelmente tambem e tal como muita gente, não estaria correctamente informado sobre a miséria e crueldade que quase sempre, para não dizer sempre, a utilizaçao de animais em espectáculos para gaudio humano implicam na vida desses mesmos animais. Quase de certeza estava a ver apenas o lado do glamour, luxo e imponencia que qualquer animal selvagem empresta a um espectáculo; o que não quer dizer que isso justifique o direito à sua utilização.

Michael Jackson, tanto quanto sei era sensível e amigo dos animais, parece até que teve num ratinho companheiro e confidente do infortunio que foi a sua infancia. Mais tarde seria um macaco, o Bubbles, o alvo da sua ternura (e como a estupidez humana não conhece limites, foi-lhe imediatamente atribuida a práctica de zoofilia).
Pessoalmente acho que esta podia ter sido se as circunstâncias o permitissem, uma oportunidade para mais alguem com impacto público ficar informado do que realmente representa o uso de animais no espectáculos.
Uma curiosidade para quem gosta de astrologias:
O Mapa Natal de MJ ilustra bem as forças que foram presente na sua vida -um Meio do Céu (público, carreira) com Sol e Plutão, duas forças de respeito uma visível e geralmente benéfica -o Sol (que tambem representa o pai), outra bem mais subterrânea... -Plutão, que lhe dava uma energia mental e física enorme, mas que tambem pode ser destrutivo, planeta da sexualidade e morte, transformação, cura, magia... Sem esquecer o ascendente em Escorpião, signo regido por Plutão... e cá estamos de novo às voltas com um forte magnetismo e sexualidade latente , que talvez funcionassem como um íman para atrair boatos e escândalos nessa área.
(Ou indo um pouco mais longe -já na astrologia cármica, talvez vincos, heranças, de outras vivencias... que implicariam nesta vida a criação de uma estrutura diferente da que foi criada para poder lidar com os desafios que se colocaram com mais êxito)
Mas fiquemo-nos para já pela astrologia comum, vale a pena ouvir o clip.

Sunday, June 21, 2009

UNIVERSOS PARALELOS (desenvolvendo um pouco o post anterior...)

delicia! :P



encontrei esta pérola... :P

Imediatamente fui remetida aos meus 11 anos quando lia entusiasticamente Edwin Abbott -porque estes vídeos foram baseados nos escritos dele de 1800 e muito! Na mesma linha -divulgando ciencia de modo acessível, tivemos recentemente Carl Sagan.

Por isso os tais livros já tinham então um ar bem antigo quando, trinta anos atrás os lia... rss. E deram origem a deliciosas conversas saudavelmente delirantes de muitas horas entre mim e o meu pai sobre um dos nossos temas preferidos

Vejam os outros vídeos, vale a pena

Tuesday, June 16, 2009

Home



São vários os vídeos sobre a iniciativa HOME de Yann Arthus-Bertrand (eu gosto i-m-e-n-s-o do trabalho dele!) que decorreu a 5 de Junho e tem com fim máximo chamar a atenção para a preservação e bom trato do planeta. Afinal e até ver, é a nossa única casa e aquela que legaremos aos nossos descendentes

http://www.home-2009.com/us/index.html

Friday, June 12, 2009

Ok...

o que faria muita gente levar um susto em certas partes do mundo, noutras é um pacífico intercambio entre espécies...

;-)


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ups...
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ha, ha...
(mais incongruências? aqui!)

Thursday, June 04, 2009

um dia de boas energias...

... será certamente o ambiente a desfrutar para quem for, em Lisboa, ao Estádio 1º de Maio, 11h do dia 21 de Junho.
O DIA MUNDIAL DO YOGA é o DIA do Ahimsá – Respeito pela Vida, pelo FIM do DERRAMAMENTO do SANGUE e da agressão, próximo de nós, e em todo o Planeta, pela Paz Mundial, pela promoção da Cultura da Paz, pela prevenção dos conflitos e pela segurança, pela Solidariedade, pela Igualdade Inter Étnica, por uma Consciência Planetária Global e Justa, pela Ecologia e pela sustentabilidade, pela honra, dignidade e igualdade da Mulher, pela protecção à Criança, pelo fim da sede e da fome, pelo esbatimento das desigualdades mundiais, pela Liberdade, pela Educação e pela Investigação, pela Arte, pelo respeito pelos animais, é um dia pela Consciência Galáctica e Cósmica.
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