Friday, December 04, 2009
Friday, November 27, 2009
..."fomos os últimos a aparecer sobre o planeta e seremos os primeiros a desaparecer!"
...para grande alivio de todos aqueles de quem somos os principais predadores e carrascos -acrescento eu.
(não lembro agora quem é o autor/a da frase que dá o título ao post)
*
«L’avocat des bêtes»! O advogado dos animais, ou das bestas, para aqueles menos versados na língua de De Gaulle, o tal que disse que o Brasil não era . . . Um livro extraordinário que acaba de ser publicado, infelizmente, só em França.
*
O autor, Michel Klein, veterinário, especializado em animais ditos selvagens, há décadas que prega: Por causa dos homens, numerosas espécies de animais têm desaparecido. Se não tomamos urgentes providências um dia é o homem que desaparecerá.
Como é triste ter que estar inteiramente de acordo com tão fúnebre perspectiva!
Numa entrevista na TV disse ainda o Dr. Michel: Nós não somos mais do que um chimpanzé com o cérebro um pouco maior!
E mais: Em milhões de espécies animais, o homem é o único que criou um completo sistema de auto destruição: governos, administração pública, impostos, exércitos, etc., para subjugar toda a espécie, acabando por se aniquilar!
Matamo-nos por bel-prazer, destruímos o nosso meio ambiente, por ignorância e sobretudo ganância (e o de milhares de espécies animais de quem também dependemos) e insistimos em cientificamente nos querermos intitular de sapiens. Sabemos, sim, destruir.
Os outros animais, não chamados de sapientes mas que sabem muito, muito, de inúmeras coisas de que nós nem suspeitamos – como por exemplo os tais chimpanzés que distinguem no meio das florestas (as poucas que lhes sobram) as plantas e os minerais que devem comer quando estão doentes, o que o sapientíssimo homem só sabe quando vai ao médico e olha lá . . . - ao conversarem entre si devem considerar-nos não um parceiro, nem mesmo um longínquo parente, mas algo que surgiu neste mundo para desgraça global.
Fazemos cinzeiros e porta-canetas das mãos desses maravilhosos primatas, bengaleiros das patas dos elefantes, ingerimos pó de chifre de rinoceronte como afrodisíaco, matamos aves maravilhosas para nos enfeitarmos e filhotes de focas para fazer sofisticados casacos de peles, mantemos em cativeiro passarinhos minúsculos porque cantam bem, etc. Ah! E ainda usamos insecticidas e pesticidas para matar mosquitos e quejandos que já andavam por este mundo bem antes da vovozinha Lucy ter visto a luz deste planeta há uns dois ou três milhões de anos.
Parece que de sapiens nada temos. Fomos dos últimos a aparecer e seremos o primeiro a causar a destruição total em vez de aprendermos com os povos primitivos como se convive com a Mãe Natureza.
Mas . . . andar nu na floresta não dá dinheiro. Todos teriam que trabalhar para comer, viver, sobreviver. Não cria postos de trabalho para os compadrios e/ou quadrilhas, nem necessita de governos, senados, câmaras legislativas, governadores e toda essa infernal máquina que, parecendo-nos lenta, nos vai torturando e levando à morte com uma velocidade incrível.
Ao homem faltou aprender uma coisa: ser simples! Ao ser simples ele pode reconhecer o Outro como o seu mais próximo!
E nunca deve chamar a um indivíduo menos culto ou inteligente: Sua besta ! A menos que o queira elogiar.
*
O autor, Michel Klein, veterinário, especializado em animais ditos selvagens, há décadas que prega: Por causa dos homens, numerosas espécies de animais têm desaparecido. Se não tomamos urgentes providências um dia é o homem que desaparecerá.
Como é triste ter que estar inteiramente de acordo com tão fúnebre perspectiva!
Numa entrevista na TV disse ainda o Dr. Michel: Nós não somos mais do que um chimpanzé com o cérebro um pouco maior!
E mais: Em milhões de espécies animais, o homem é o único que criou um completo sistema de auto destruição: governos, administração pública, impostos, exércitos, etc., para subjugar toda a espécie, acabando por se aniquilar!
Matamo-nos por bel-prazer, destruímos o nosso meio ambiente, por ignorância e sobretudo ganância (e o de milhares de espécies animais de quem também dependemos) e insistimos em cientificamente nos querermos intitular de sapiens. Sabemos, sim, destruir.
Os outros animais, não chamados de sapientes mas que sabem muito, muito, de inúmeras coisas de que nós nem suspeitamos – como por exemplo os tais chimpanzés que distinguem no meio das florestas (as poucas que lhes sobram) as plantas e os minerais que devem comer quando estão doentes, o que o sapientíssimo homem só sabe quando vai ao médico e olha lá . . . - ao conversarem entre si devem considerar-nos não um parceiro, nem mesmo um longínquo parente, mas algo que surgiu neste mundo para desgraça global.
Fazemos cinzeiros e porta-canetas das mãos desses maravilhosos primatas, bengaleiros das patas dos elefantes, ingerimos pó de chifre de rinoceronte como afrodisíaco, matamos aves maravilhosas para nos enfeitarmos e filhotes de focas para fazer sofisticados casacos de peles, mantemos em cativeiro passarinhos minúsculos porque cantam bem, etc. Ah! E ainda usamos insecticidas e pesticidas para matar mosquitos e quejandos que já andavam por este mundo bem antes da vovozinha Lucy ter visto a luz deste planeta há uns dois ou três milhões de anos.
Parece que de sapiens nada temos. Fomos dos últimos a aparecer e seremos o primeiro a causar a destruição total em vez de aprendermos com os povos primitivos como se convive com a Mãe Natureza.
Mas . . . andar nu na floresta não dá dinheiro. Todos teriam que trabalhar para comer, viver, sobreviver. Não cria postos de trabalho para os compadrios e/ou quadrilhas, nem necessita de governos, senados, câmaras legislativas, governadores e toda essa infernal máquina que, parecendo-nos lenta, nos vai torturando e levando à morte com uma velocidade incrível.
Ao homem faltou aprender uma coisa: ser simples! Ao ser simples ele pode reconhecer o Outro como o seu mais próximo!
E nunca deve chamar a um indivíduo menos culto ou inteligente: Sua besta ! A menos que o queira elogiar.
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
11/27/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
ecologia
Lindo, não é?!
Gosto tanto que é a terceira vez que é objecto de post... rss
Mas aqui é a primeira.
Bom fim de semana!
Etiquetas:
vídeos
Tuesday, November 24, 2009
medicina: não ha certezas de nada e está em evolução...

...ou seja, as verdade de hoje podem bem verificar-se ser erros, amanhã!
Como qualquer retrospectiva sumária pela história atesta.
Entretanto alguem vai pagando isso, literalmente com a vida.
Depois da notícia abaixo, e agora que ganhou de novo o direito a ser ouvido e a interagir, Rom Houben recupera tempo perdido e capacidades físicas com fisioterapia, alem de escrever o que será um livro sobre o que é estar 23 anos encerrado num corpo sem qualquer capacidade de comunicar, mas... consciente de tudo!
* * *
Foram 23 anos preso a uma cama e a ouvir e ver tudo o que se passava à sua volta, mas sem conseguir reagir. Um belga vítima de um acidente de viação ficou totalmente paralisado e os exames médicos diagnosticaram-lhe coma, mas na realidade o homem esteve sempre consciente. Neurologista alerta que pode haver casos semelhantes.
Há 23 anos, quando sofreu o acidente, Rom Houben foi submetido a vários testes motores, verbais e oculares, conta a BBC. Os resultados indicaram que o paciente estava em coma, mas o diagnóstico estava errado, pois o belga estava consciente. A verdadeira situação de Houben só foi descoberta há alguns meses, quando foi submetido a exames de tomografia de última geração: os resultados indicaram que as áreas cerebrais relativas à consciência e à interpretação da informação auditiva e visual estavam a funcionar.
Desde essa altura, o belga tem sido submetido a fisioterapia e já consegue comunicar escrevendo mensagens no computador. “Nunca vou me esquecer do dia em que descobriram qual era o meu verdadeiro problema. Foi o meu segundo nascimento. Em todo este tempo eu tentava gritar, mas não havia nada para as pessoas ouvirem”, disse o belga, citado pela BBC, vincando que “frustração é uma palavra muito pequena para descrever” o que ele sentiu durante 23 anos.
Há 23 anos, quando sofreu o acidente, Rom Houben foi submetido a vários testes motores, verbais e oculares, conta a BBC. Os resultados indicaram que o paciente estava em coma, mas o diagnóstico estava errado, pois o belga estava consciente. A verdadeira situação de Houben só foi descoberta há alguns meses, quando foi submetido a exames de tomografia de última geração: os resultados indicaram que as áreas cerebrais relativas à consciência e à interpretação da informação auditiva e visual estavam a funcionar.
Desde essa altura, o belga tem sido submetido a fisioterapia e já consegue comunicar escrevendo mensagens no computador. “Nunca vou me esquecer do dia em que descobriram qual era o meu verdadeiro problema. Foi o meu segundo nascimento. Em todo este tempo eu tentava gritar, mas não havia nada para as pessoas ouvirem”, disse o belga, citado pela BBC, vincando que “frustração é uma palavra muito pequena para descrever” o que ele sentiu durante 23 anos.
O verdadeiro estado de Houben foi descoberto por uma equipa liderada pelo neurologista Steven Laureys, chefe do Grupo de Coma do Departamento de Neurologia da Universidade de Liège, que publicou o estudo relativo a este caso.
À BBC, Laureys deixou um alerta: “Só na Alemanha, em cada ano, 100 mil pessoas sofrem de traumatismo cerebral grave. Estima-se que de 3 mil a 5 mil se mantêm presos em um estágio intermediário entre o coma verdadeiro e a total recuperação de sentidos e movimentos. Vivem sem nunca mais voltarem.”
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
11/24/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
actualidades,
ciência
Friday, November 20, 2009
vacinas: as verdades inconvenientes
(9 vídeos para ver)
Estou à espera de saber quantas mais grávidas é preciso abortarem "expontâneamente e sem-nada-a-ver" a seguir a tomarem a vacina da gripe A... para a classe médica assumir que pode haver, eventualmente, alguma ligação...
Por enquanto, ontem, 19 de Novembro de 2009, veio a público a notícia sobre a terceira grávida em poucos dias, em Portugal, que abortou a seguir a ser vacinada.
Tomada pública de posição: não há relação nenhuma.
Se estivesse em situação de gravidez, eu, de certeza, não a tomaria.
Aliás, mesmo não estando, não a tomarei.
Interessante documento sobre as vacinas, em geral.
Etiquetas:
saúde
Wednesday, November 18, 2009
o que tem a oxitocina a ver com violencia doméstica?!

Agora vejam até onde pode ir.
A Oxitocina e a Violência Doméstica
Faz uns anos em Estocolmo, uma curiosa situação ocorreu durante o roubo de um banco. O delinqüente tomou reféns, entretanto, quando terminou toda a tragédia, os reféns defenderam o ladrão e o apoiaram o tempo todo. Este tipo de união paradoxal é chamada pela psiquiatria de "laço traumático", e foi identificada em 1983 pelos pesquisadores Donald Dutton e Susan Painter em certas relações onde a violência doméstica protagoniza o vínculo.
Faz uns anos em Estocolmo, uma curiosa situação ocorreu durante o roubo de um banco. O delinqüente tomou reféns, entretanto, quando terminou toda a tragédia, os reféns defenderam o ladrão e o apoiaram o tempo todo. Este tipo de união paradoxal é chamada pela psiquiatria de "laço traumático", e foi identificada em 1983 pelos pesquisadores Donald Dutton e Susan Painter em certas relações onde a violência doméstica protagoniza o vínculo.
"Muitos cientistas pensam que a oxitocina tem um papel importante na formação destes laços traumáticos entre os casais. Este hormônio muitas vezes não permite a consolidação das memórias enquanto que por sua vez aumenta o nível de confiança entre uma pessoa abusada e seu abusador.
Muitas mulheres formam este tipo de laço traumático com o marido abusador e logo sentem que não podem deixá-lo, voltam a uma relação que as levará a sofrer novamente. Cremos que a oxitocina tem a ver com este perigoso padrão", escreveu Painter em seu estudo.
O abuso é difícil de ser cometido em uma relação baseada na igualdade e é muito mais fácil de continuar caso se mantenham padrões onde o maltrato é seguido por amor e carinho. Esta situação pode gerar o aumento do hormônio no corpo e a confiança do abusado para a pessoa que o maltrata.
*
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
11/18/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
ciência,
comportamentos
Friday, November 13, 2009
Tuesday, November 10, 2009
"O que têm em comum a perda de peso, imperadores maléficos e histórias de redenção?"

Analisando as razões de um livro ser um sucesso... ou não! As chaves são as do costume e distribuem-se por capítulos:
*
*O Óbvio: Dieta, Saúde e Inspiração
*Preto e Branco [...]: O bem e o Mal [...]
*Para Sempre, Espera-se: Amor, Romance e Relacionamentos
*O Comboio da Alma: Religião e Espiritualidade
*Lendo pela Redenção: Testes e Triunfos na Ficção e [...]
* * *
"O Homem é um Animal Religioso. É o único Animal Religioso. É o único animal que tem a Verdadeira Religião -várias até."
(Mark Twain)
*
"Vejam, toda a gente precisa de um Deus que se pareça com ela".
(A Vida Secreta das Abelhas, Sue Monk Kidd)
*
Qual seria o preço de não ter um inimigo? Quem poderias tu atacar à espera de resposta, sem ser a ti próprio?
(Cold Mountain)
* * *
(Frases no início de capítulos in Os Livros que Lemos de Lisa Adams e Jonh Heath)
Etiquetas:
livros
Wednesday, November 04, 2009
quando eu era criança...
( imagem)Tambem a mim me afligia a dor que sentia (e por vezes pressentia), nos animais vítimas de abuso e descaso. Qualquer abuso. Qualquer descaso. Qualquer tipo de animal. As carroças sobrelotadas de animais para abate, o cão preso no fundo do quintal, os animais fechados em jaulas de ferro no Jardim Zoológico, os coelhos e aves empilhados em tabuleiros nos mercados públicos para venda e abate na hora (sim, alguns anos atrás era possível escolher um animal vivo e levá-lo morto para casa, para fazer o jantar!).
O mundo parecia-me então um lugar selvagem e miserável, povoada de pessoas não más, mas mais assustador ainda, inconscientes da dor que provocavam e transformava-se num lugar cinzento, onde a minha pequena idade não tinha muita margem de manobra para agir, mas... a consciência de uma realidade que sentia errada não se calava dentro de mim.
Com o aumento de idade fui ganhando algumas autonomias e pude ajudar alguns animais; sempre muito menos do que queria e muitissimo menos do que os que precisavam desesperadamente de ajuda, mas tambem passei a poder manifestar opiniões de forma a juntarem-se a outras iguais e ter assim algum impacto, fazer alguma diferença no mosaico de opiniões que sempre precedem acções e mudanças num mundo que se quer mais justo para com a vida.
* * *
*Quando era criança e me levavam ao circo, o que mais me afligia eram os olhos dos tigres. Os olhos assustados e resignados dos macacos, os olhos sem vida de leões e elefantes, os dos cavalos aos círculos na pista, rasos e desorbitados como os dos cavalos dos carrosséis, os das esquálidas pequenas trapezistas, metidas em surrados fatos de lantejoulas e fixando vaziamente um ponto abstracto acima das nossas cabeças enquanto agradeciam, hirtas, os aplausos, entristeciam-me.Mas nos dos tigres havia impotência e orgulho ferido, como se estivessem enclausurados dentro de si e não coubessem dentro de si. Sentia que nos desprezavam e que desprezavam a parte de si que, às ordens do domador, subia e descia ridículos escadotes ou saltava mecanicamente através de arcos em chamas. E culpava-me por assistir ao penoso espectáculo da sua humilhação, imaginando que deviam (com razão) odiar-nos. A lei que finalmente aponta para o fim do abuso de animais nos circos acaba com um espectáculo tão humilhante para os animais quanto para quem (como acontece igualmente nas touradas) se compraz com a sua humilhação. ( link )
*post reproduzido integralmente de:
(conheça lá outras notícias e actualidades sobre a defesa animal)
*
Algumas acções tambem podem ser executadas por quem sentir afinidade:
Por favor, peça ao Governo para alterar o enquadramento jurídico dos animais no Código Civil
uma notícia importante e recente:
Sunday, November 01, 2009
um conto a condizer com o dia...

J. K. Rowling, a conhecida autora da série Harry Potter, tem um livro de contos na mesma linha da restante obra.
Hoje deixo o Conto dos Tres Irmãos, presente em The Tales Of Beedle The Bard; cheio de bons concelhos e sensatas considerações. Como narrador, JKR colocou o conhecido personagem que dirige a escola de magia Hogwarts na série HP
Era uma vez três irmãos que estavam viajando por uma estrada deserta e tortuosa ao anoitecer...
Depois de algum tempo, chegaram a um rio fundo demais para vadear e perigoso demais para atravessar a nado.
Os irmãos, porém, eram versados em magia, então simplesmente agitaram as mãos e fizeram aparecer uma ponte sobre as águas traiçoeiras. Já estavam na metade da travessia quando viram o caminho bloqueado por um vulto encapuzado.E a Morte falou. Estava zangada por terem lhe roubado três vítimas, porque o normal era os viajantes se afogarem no rio. Mas a Morte foi astuta.
Fingiu cumprimentar os três irmãos por sua magia, e disse que cada um ganhara um prêmio por ter sido inteligente o bastante para lhe escapar.Então, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu a varinha mais poderosa que existisse: uma varinha que sempre vencesse os duelos para seu dono, uma varinha digna de um bruxo que derrotara a Morte! Ela atravessou a ponte e se dirigiu a um vetusto sabugueiro na margem do rio, fabricou uma varinha de um galho da árvore e entregou-a ao irmão mais velho.
Então, o segundo irmão, que era um homem arrogante, resolveu humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de restituir a vida aos que ela levara. Então a Morte apanhou uma pedra da margem do rio e entregou-a ao segundo irmão, dizendo-lhe que a pedra tinha o poder de ressuscitar os mortos.
Então, a Morte perguntou ao terceiro e mais moço dos irmãos o que queria. O mais moço era o mais humilde e também o mais sábio dos irmãos, e não confiou na Morte. Pediu, então, algo que lhe permitisse sair daquele lugar sem ser seguido por ela. E a Morte, de má vontade, lhe entregou a própria Capa da Invisibilidade.
Então, a Morte se afastou para um lado e deixou os três irmãos continuarem viagem e foi o que eles fizeram, comentando, assombrados, a aventura que tinham vivido e admirando os presentes da Morte. No devido tempo, os irmãos se separaram, cada um tomou um destino diferente.O primeiro irmão viajou uma semana ou mais e, ao chegar a uma aldeia distante, procurou um colega bruxo com quem tivera uma briga. Armado com a varinha de sabugueiro, a Varinha das Varinhas, ele não poderia deixar de vencer o duelo que se seguiu. Deixando o inimigo morto no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estalagem, onde se gabou, em altas vozes, da poderosa varinha que arrebatara da própria Morte, e de que a arma o tornava invencível. Na mesma noite, outro bruxo aproximou-se sorrateiramente do irmão mais velho enquanto dormia em sua cama, embriagado pelo vinho. O ladrão levou a varinha e, para se garantir, cortou a garganta do irmão mais velho.Assim, a Morte levou o primeiro irmão.
Entrementes, o segundo irmão viajou para a própria casa, onde vivia sozinho. Ali, tomou a pedra que tinha o poder de ressuscitar os mortos e virou-a três vezes na mão. Para sua surpresa e alegria, a figura de uma moça que tivera esperança de desposar antes de sua morte precoce surgiu instantaneamente diante dele. Contudo, ela estava triste e fria, como que separada dele por um véu. Embora tivesse retornado ao mundo dos mortais, seu lugar não era ali, e ela sofria. Diante disso, o segundo irmão, enlouquecido pelo desesperado desejo, matou-se para poder verdadeiramente se unir a ela.Assim, a Morte levou o segundo irmão.
Embora a Morte procurasse o terceiro irmão durante muitos anos, jamais conseguiu encontrá-lo. Somente quando atingiu uma idade avançada foi que o irmão mais moço despiu a Capa da Invisibilidade e deu-a de presente ao filho. Acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida.
* * *
Fala Albus Dumbledore
Comentários de Albus Dumbledore sobre O conto dos três irmãos:
(Albus Dumbledore é o director da escola de magia na saga Harry Potter)Quando eu era criança essa história me causou uma profunda impressão. Ouvi-a primeiramente contada por minha mãe, e logo tornou-se o conto que eu pedia com mais frequência na hora de dormir. Isto sempre provocava discussões com o meu irmão mais novo, Aberforth, cuja história favorita era "Bodalhão, o Bode Resmungão". A moral de "O conto dos três irmãos" não poderia ser mais clara: os esforços humanos para evadir ou superar a morte estão sempre fadados ao desapontamento. O terceiro irmão da história ("o mais humilde e também o mais sábio") é o único que compreende isso, pois, tendo escapado uma vez da morte, por um triz, o melhor que poderia esperar era adiar o próximo encontro o máximo possível. O mais moço sabe que zombar da Morte - envolver-se em violência, como o primeiro irmão, ou ocupar-se da sombria arte da necromancia (1), como o segundo irmão — significa medir forças com um inimigo ardiloso que não pode perder. A ironia é que se formou uma curiosa lenda em torno dessa história, que contradiz exatamente a mensagem original.
A lenda argumenta que os prêmios que a Morte dá aos irmãos — uma varinha imbatível, uma pedra capaz de ressuscitar os mortos e uma Capa da Invisibilidade imperecível — são objetos verdadeiros que existem no mundo real. E vai além: se alguém vem a se tornar o legítimo possuidor dos três, torna-se então "senhor da Morte", o que tem sido comumente entendido que será invulnerável, e mesmo imortal.
1 [Necromancia é a magia negra que ressuscita os mortos. É um ramo da magia que nunca teve sucesso, como a nossa história deixa bem claro. JKR]
Podemos rir com uma certa tristeza do que isto nos diz da natureza humana. A interpretação mais caridosa seria: "A esperança brota eternamente.
2 - Ainda que, segundo Beedle, dois desses três objetos sejam extremamente perigosos, e sua clara mensagem é que, no fim, a Morte virá nos buscar, uma minoria na comunidade bruxa insiste em acreditar que Beedle estava lhes enviando uma mensagem cifrada, dizendo exatamente o inverso do que escreveu à tinta, mensagem esta que somente eles são suficientemente inteligentes para entender.
2 [A citação demonstra que Alvo Dumbledote era não só excepcionalmente instruído em termos de bruxaria, como também familiarizado com os escritos do poeta trouxa Alexander Pope. JKR]
Tal teoria (ou talvez "desesperada esperança" seja o termo mais preciso) é respaldada por pouquíssimas provas reais. É verdade que a Capa da Invisibilidade, embora rara, existe em nosso mundo; contudo, a história deixa claro que a Capa da Morte é de uma durabilidade ímpar.
3 - Durante os muitos séculos que medeiam a época de Beedle e a nossa, ninguém jamais afirmou ter encontrado a Capa da Morte. A explicação dos verdadeiros crentes é a seguinte: ou os descendentes do terceiro irmão desconhecem a origem da capa, ou a conhecem e estão resolvidos a comprovar a sabedoria do seu antepassado, não alardeando esse fato.
3 [As Capas da Invisibilidade não são, em geral, infalíveis. Podem rasgar ou se tornar opacas com a idade, ou os feitiços nela lançados podem enfraquecer, ou ser anulados por Feitiços de Revelação. É por isso que os bruxos habitualmente recorrem, no primeiro caso, aos Feitiços da Desilusão para se camuflarem ou se ocultarem. Alvo Dumbledore era conhecido por sua capacidade de executar um Feitiço da Desilusão tão poderoso que se tornava invisível sem recorrer à capa. JKR]
Muito naturalmente, a pedra tampouco foi encontrada. Observei anteriormente, ao comentar "Babbitty, a Coelha, e seu Toco Gargalhante", que continuamos incapazes de ressuscitar os mortos, e temos todas as razões para supor que isto jamais acontecerá. Vis substituições foram naturalmente ensaiadas pelos bruxos das trevas criadores dos Inferi
4 - que são apenas fantoches, e não seres humanos de fato ressuscitados. Acresce que a história de Beedle é muito explícita quanto ao fato de que o amor perdido do segundo irmão nunca ressurgiu realmente dos mortos. Foi enviado pela Morte para atrair o segundo irmão às suas garras e, portanto, manteve-se fria, distante, tantalizantemente presente e ausente.
4 [Inferi são cadáveres reanimados por magia negra. JKR]
5 - Muitos críticos acreditam que Beedle se inspirou na Pedra Filosofal, elemento essencial do Elixir da Vida que induz a imortalidade, quando criou essa pedra capaz de ressuscitar os mortos.
Resta-nos, então, a varinha, e aqui os que se obstinam em acreditar na mensagem secreta de Beedle têm pelo menos indícios históricos para fundamentar suas delirantes suposições. Seja porque gostem de se vangloriar ou intimidar seus possíveis adversários, seja porque realmente acreditam no que dizem — o fato é que os bruxos há séculos afirmam possuir uma varinha mais poderosa do que qualquer outra, até mesmo uma varinha "invencível", a Varinha das Varinhas.
Alguns chegaram ao exagero de alegar que sua varinha é feita de sabugueiro, como a que a Morte supostamente fabricou. Tais objetos receberam nomes, entre os quais "a Varinha do Destino" e "a Varinha da Morte". Não admira que velhas superstições tenham se desenvolvido em torno de nossas varinhas, que são, afinal, nossas ferramentas e armas mágicas mais importantes.
5 Algumas (e, portanto, seus donos) são supostamente incompatíveis: Se a varinha dele é carvalho, e a dela, azevinho casarem-se os dois será um descaminho ou indicam falhas no caráter: Castanheiro preguiçoso, sorveira falastrona, freixo queixo-duro, aveleira resmungona.
Com efeito, nessa categoria de máximas sem comprovação encontramos: Varinha de sabugueiro, azar o ano inteiro. Seja porque a Morte fabrica a varinha ficcional com sabugueiro na história de Beedle, seja porque os bruxos sedentos de poder ou violentos têm persistentemente afirmado que suas varinhas são feitas de sabugueiro, esta madeira não goza da preferência dos fabricantes de varinhas. A primeira alusão bem documentada a uma varinha de sabugueiro dotada de poderes particularmente fortes e perigosos foi àquela que pertenceu a Emerico, cognominado "o Mal", um bruxo de vida curta, mas excepcionalmente agressivo, que aterrorizou o sul da Inglaterra no início da Idade Média. Morreu como tinha vivido, em um encarniçado duelo com outro bruxo conhecido por Egberto. Ignora-se que fim levou Egberto, embora a expectativa de vida dos duelistas medievais fosse geralmente baixa. Nos tempos anteriores à criação de um Ministério da Magia para regular o uso da magia negra, os duelos eram geralmente fatais. Um século depois, outro personagem desagradável, de nome Godelot, expandiu o estudo da magia negra registrando uma coleção de feitiços perigosos, com o auxílio de uma varinha descrita como "mia amijga mas maluada e sottill, cum coorpo de sabugueiro, que conhece camijnhos de magia mui maligna". (Magia mui maligna se tornou o título da obra-prima de Godelot.) Como podemos observar, Godelot considera sua varinha uma colaboradora, quase uma instrutora. Aqueles que estão familiarizados com as tradições das varinhas 6 - concordarão que elas realmente absorvem o conhecimento de quem as usa, embora tal processo seja imprevisível e imperfeito; é preciso levar em consideração todo tipo de fatores adicionais, tais como as relações entre a varinha e seu usuário, para compreender a eficiência do seu desempenho com determinado indivíduo.
6 Como eu.
Ainda assim, é provável que uma varinha hipotética que tenha passado pelas mãos de muitos bruxos das trevas teria, no mínimo, uma marcada afinidade pelos tipos de magia mais perigosos que há. A maioria dos bruxos prefere uma varinha que os tenha "escolhido" a qualquer outra de segunda mão, precisamente porque esta última terá adquirido hábitos do seu dono anterior que podem não ser compatíveis com o estilo de magia do novo dono. A prática comum de enterrar (ou queimar) a varinha com o seu dono, quando ele morre, também contribui para impedir que uma varinha aprenda com numerosos mestres. Os que acreditam na varinha de sabugueiro, no entanto, sustentam que, dada a maneira com que ela sempre transferiu sua lealdade entre donos — o próximo superando o anterior, em geral matando-o —a varinha de sabugueiro nunca foi destruída nem enterrada, antes sobreviveu para acumular sabedoria, força e poder muito além do normal. Sabe-se que Godelot pereceu em seu próprio porão, onde foi trancafiado pelo filho demente, Hereward. É de se supor que o filho tenha se apossado da varinha do pai, ou este último teria conseguido fugir, mas que destino Hereward terá dado à varinha não sabemos ao certo. Sabemos, sim, que uma varinha chamada "Varinha de Eldrun" por seu dono, Barnabás Deverill, surgiu no início do século XVIII, e que este bruxo a usou para talhar sua reputação de guerreiro temível, até seu reino de terror ser encerrado pelo igualmente notório Loxias, que lhe tomou a varinha e a rebatizou de "a Varinha da Morte", usando-a para destruir qualquer um que o desagradasse. É difícil acompanhar a trajetória subsequente da varinha de Loxias, pois muitos alegam tê-lo matado, inclusive a própria mãe.
O que deve ocorrer a qualquer bruxo inteligente que estude a pretensa história da Varinha das Varinhas é que todo homem que afirme ter sido seu dono 7 insistiu em sua "invencibilidade", quando os fatos que se conhecem sobre sua passagem pelas mãos de muitos donos demonstram não só que ela foi vencida centenas devezes, como atraiu tanta confusão quanto Bodalhão, o Bode Resmungão, atraía moscas. Em última análise, a busca pela Varinha das Varinhas corrobora uma observação que tive oportunidade de fazer muitas vezes no curso de minha longa vida: que os humanos têm um pendor para escolher precisamente as coisas que lhes fazem mal.
7 Nenhuma bruxa jamais afirmou ter sido dona da Varinha das Varinhas. Extraiam disso a conclusão que quiserem.Qual de nós, porém, teria revelado a sabedoria do terceiro irmão, se lhe fosse oferecido escolher o melhor presente da Morte? Bruxos e trouxas são igualmente imbuídos de sede de poder; quantos teriam resistido à "Varinha do Destino"? Que ser humano, tendo perdido um ente amado, poderia resistir à tentação da Pedra da Ressurreição? Mesmo eu, Albus Dumbledore, acharia mais fácil recusar a Capa da Invisibilidade; o que prova apenas
que, esperto como sou, continuo sendo um bobalhão tão grande quanto os demais.
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
11/01/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
autoras/es,
livros
Wednesday, October 28, 2009
crescer vazio

[...]
O Zé Carlos tem 7 anos. Aos 6 entrou para a escola. Bate em todos e furta de preferência objectos novos que os outros meninos levam. Se apanha animais no recreio onde brinca, mata-os com requintes de malvadez.
[...]
O Zé Carlos tem 7 anos. Quando o vejo pela primeira vez em consulta faz-me um desenho livre. Tem sete cruzes, sete, e uma igreja e um céu. Cada cruz a um pertence, explica-me:
«Esta é pelo meu pai que está na prisão. Esta é do avô que morreu primeiro e esta é da avó que morreu depois. Esta é do meu tio que estava doente e esta é do meu primo que agora foi para a tropa e já não mora lá em casa»
Das duas que sobram, uma sobrevoa o desenho, enorme, com um Cristo crucificado.
«Já vi uma Bíblia assim» - e com os dedos mostra-me uma espessura de lombada grossa.
«E a última cruz?»
«É uma cruz voadora, é de quem a agarrar.»
Pergunto se não há vivos neste desenho.
«Jesus é vivo mas já está morto.»
[...]
O Zé Carlos é um rapaz de 7 anos. Se tivesse sete vídas psíquicas, julgo que estaria já a viver no limiar da última. Vem à consulta acompanhado pela mãe, mas o verdadeiro pedido de ajuda é o da escola, não o da família.. A mãe é uma mulher jovem, ainda na casa dos vinte e já com cinco filhos. o Zé Carlos, o mais velho dos irmãos, vive com a avó materna. As duas crianças seguintes vivem com os respectivos pais. Só os dois mais novos é que vivem com a mãe e com o actual companheiro desta.
[...]
É uma mulher que parece ter um discurso sempre distante de uma ressonância afectiva do que me narra [...] e descreve-me o seu actual companheiro que considera uma pessoa frágil com quem se identifica:
«Só tem o problema da bebida. Mas mesmo bêbado não é agressivo, anda a cair e é só isso. Até é meigo nessas alturas e mais brincalhão que o normal.» Instantes atrás mostrara-me uma nódoa negra marca viva de uma agressão recente deste homem.
* * *
Nas histórias de crianças que passam por negligência, maus tratos ou abusos encontramos vulgarmente um peso do que chamamos «perturbações transgeracionais». As raízes do actual mal afundam-se muitos anos atrás, em gerações precedentes
[...]
«Has-de passar tantas ou piores das que eu passei», dizia uma mãe maltratante ao seu bebé de meses que segurava que segurava no colo.
[...]
[...]
*
A este propósito, deixem-me falar-vos de uma história da Andreia de 9 anos. Conhecia-a num grupo de deslocação à praia de um grupo de crianças que em comum tinham um passado de desamparo emocional.
Uma estrela do mar agonizava ao calor de uma maré vazia em que, com certeza, fora apanhada desprevenida. As suas cinco pontas eram circundadas por seis pernas em círculo. A conversa entre este grupo de três crianças foi assim:
Nelson: «Matamos ela?»
Sílvia: «Matamos.»
Andreia: «Não. Põe outra vez ela ao mar.»
Sílvia: «Deixa.»
Nelson: «Porquê?»
Andreia: «Não vês que no mar deve haver quem trate dela?»
Sílvia: «Pois.»
Nelson: «Vou pôr quando a maré chegar.»
[...]
nem todos podem manter esta capacidade de repararação como a Andreia.
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
10/28/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
livros
Sunday, October 25, 2009
gente feliz... com história!

de: Oprah.com
Em outubro de 2009, Oprah viajou para Copenhague, capital da Dinamarca, para apoiar a candidatura de Chicago para os Jogos Olímpicos de 2016. Bem, Chicago não foi escolhido, mas isso não impediu Oprah de desfrutar de sua primeira visita ao país que é considerado um dos locais mais felizes na terra.
Em outubro de 2009, Oprah viajou para Copenhague, capital da Dinamarca, para apoiar a candidatura de Chicago para os Jogos Olímpicos de 2016. Bem, Chicago não foi escolhido, mas isso não impediu Oprah de desfrutar de sua primeira visita ao país que é considerado um dos locais mais felizes na terra.
Nos últimos 30 anos, pesquisadores científicos têm chegado à mesma conclusão, de forma consistente: os dinamarqueses são mais felizes do que o resto do mundo. No mapa do mundo "da felicidade", um mapa criado por um psicólogo social na Inglaterra, -Suíça, Áustria, Islândia e Dinamarca vêm imediatamente abaixo na escala de felicidade. Canadá vem em número 10, enquanto os Estados Unidos é um distante 23. Então, o que torna os dinamarqueses tão felizes?
Oprah encontrou com Nanna Norup, residente em Copenhaga, para descobrir. Enquanto andam pelas ruas de paralelepípedos, Nanna explica algumas das diferenças entre a Dinamarca e Estados Unidos. Por exemplo, em Copenhague, as pessoas são ambientalmente muito conscientes. Um terço da população anda de bicicletas pela cidade, muitos deles com sacos de supermercado ou crianças pequenas. Sem-abrigo, pobreza e desemprego também são extremamente raros neste país de 5,5 milhões de pessoas. Se você perder o seu emprego, Nanna diz que o governo continua a pagar até 90 por cento do seu salário durante quatro anos. E não se preocupe ... saúde é livre para todos.
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
10/25/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
lugares da terra
Monday, October 19, 2009
para pensar...

Um habitante dos subúrbios americano anda de carro aproximadamente 6500km por ano, só para ir e vir do trabalho. Este percurso, multiplicado por todos os suburbanos que se dirigem diariamente para o seu trabalho, representa um consumo de 90 milhões de litros de combustivel, uma produção de duzentos e dezanove milhões de toneladas de dióxido de carbono, 11 milhões de pneus gastos e smog em quantidade em todas as grandes cidades.
O trabalho no domicilio permitiria alcançar economias substanciais.
Estatísticas recentes demonstram que, se metade dos suburbanos efectuassem o seu trabalho em casa, um dia por semana, utilizando (computador, fax e telefone), seria possível economizar 2,3 milhões de dólares em combústivel.
Além disso, 7650 vidas por ano seriam poupadas graças a um trânsito diário menos intenso.
(Uma Casa que Cura - Robert Denryck)
Etiquetas:
ecologia
Saturday, October 17, 2009
A identidade em segunda mão: a narrativa emprestada
Underground é um livro diferente da restante linha de romances escrita por Haruki Murakami.Na primeira parte temos os variados relatos de todos os que foram vitimados pelo atentado com gás sarin no metro de Tóquio a 20 de Março de 1995 e ficaram com mais ou menos sequelas (cerca de 6000 pessoas) ou dos familiares das vítimas que sucumbiram, bem como do pessoal de assistência médica.
No livro II, temos o depoimento de membros da seita Aum Shinrikyo, (Seita Verdade Suprema) liderada por Shoko Asara - o mandante do atentado, posteriormente condenado à morte tal como alguns dos acólitos que executaram as operações no metro.
Diferentemente dos relatos das vítimas, há uma interacção verbal considerável entre Murakami e os seguidores da seita, que visa esclarecer qualquer ponto mais hermético para quem lê.
Entre os dois livros, Murakami tece algumas reflexões, nomeadamente à estrutura mental –ou ausência dela, que permite que seitas como a Aum proliferem.
Abaixo, alguns exertos.
* * *
do Unabomber, publicado no New York Times em 1995:
O sistema organiza-se de maneira a colocar pressão sobre aqueles que não se conformam com ele. Os que não são conformes ao sistema são doentes; fazê-los conformar é a cura. Consequentemente o processo de poder que procura atingir a autonomia é quebrado, e o individuo é subordinado a processos de poder dependentes de outrem, que o sistema obriga a cumprir. Procurar a autonomia é visto como uma doença.
[…] o modus operandi da Unabomber é practicamente idêntico ao da Aum […] O argumento que Kaczinsky apresenta está essencialmente correcto. Muitas das partes do sistema social em que nos inserimos e em que funcionamos têm de facto, como objectivo reprimir a autonomia individual ou nas palavras do provérbio japonês: “a unha que se destaca é cortada rente” […] Kaczinsky descurou – com ou sem intenção – um factor importante. A autonomia não deixa de ser a imagem invertida da dependência de outrem. Se uma pessoa for abandonada em bebé numa ilha deserta não terá qualquer noção do que significa autonomia. A autonomia e a dependência são como a luz e a sombra presas na órbita gravitacional uma da outra, até ao dia em que, passado um período considerável de tentativas e fracassos, cada indivíduo consiga encontrar o seu próprio lugar no mundo.
Os que não conseguem encontrar esse equilíbrio, como talvez tenha sido o caso de Shoko Asahara, terão de compensar através da criação de um sistema limitado (embora na verdade bastante eficaz) […] Os esforços para superar as próprias deficiências fizeram com que ficasse preso num circuito fechado. Um génio aprisionado numa lâmpada com um rótulo a dizer “religião” que ele começou a colocar no mercado como uma espécie de experiência partilhada […] Também ele teve certamente o seu próprio satori, atingiu alguma espécie de valor paranormal. Sem essa extraordinária inversão de valores do quotidiano, Asahara nunca teria sido tão poderoso e carismático. Numa certa perspectiva, a religião primitiva transporta sempre consigo uma aura especial que emana da aberração psíquíca.
Para obter a autodeterminação que Asahara providenciava a maioria daqueles que se refugiaram na seita Aum parece ter depositado tudo o que possuía em termos de identidade – cofre e chave – nesse banco espiritual chamado Shoko Asahara.
[…] Tinham finalmente alguém que olhava por eles, que os poupava à ansiedade de enfrentarem sozinhos as situações novas e os libertava de qualquer necessidade de pensarem por si mesmos.
[…] Só Shoko Asahara lutava: a maioria dos seus seguidores era simplesmente engolida e assimilada pelo seu ego sedento de batalhas […]. Não eram vítimas passivas: procuravam activamente ser controladas por Asahara. O controlo mental não é algo que se possa obter ou entregar de modo tão simples. É uma dança a dois.
[…] a pessoa a quem confiámos o ego oferece-nos uma nova narrativa. Entregámos-lhe a verdadeira, o que recebemos em troca é uma sombra. E, depois do nosso ego se ter fundido noutro, é inevitável que adoptemos a narrativa por ele criada.
E que tipo de narrativa é esta? Não precisa de ser nada particularmente sofisticado, nada de complicado ou refinado. […] De facto quanto mais esquemática e simplificada, melhor. Um pechisbeque, umas sobras requentadas serão o suficiente. Assim como assim, a maior parte das pessoas está farta de cenários complexos e multifacetados.
[…]
Shoko Asahara era suficientemente talentoso para conseguir impor a sua narrativa requentada a outras pessoas (na sua maior parte, era disso mesmo que elas vinham à procura.) Era uma história mal-amanhada, risível […] A partir desta perspectiva, num sentido limitado, Asahara acabava por ser um grande contador de histórias, capaz de antecipar o espírito da época. Não se deixava tolher pela noção, consciente ou não, de que as suas ideias e imagens eram lixo reciclado.
[…]
Quaisquer que fossem as deficiências da narrativa, elas eram as deficiências do próprio Asahara, logo, não representavam qualquer obstáculo para os que escolhiam unir-se a ele […] Irremediavelmente maculado pela paranóia e pelo delírio, desenvolvia-se um novo pretexto, grandioso e irracional, até já não haver retorno possível…
Era esta a narrativa oferecida pela Aum, pelo lado deles. Estúpida, poder-se-á dizer. E é-o, sem dúvida. Quase todos nos rimos do cenário extravagante e absurdo que Asahara desenhava. Rimo-nos por ter fabricado um disparate pegado e zombámos dos seguidores que eram atraídos por aquele isco para malucos.
[...]
Já alguma vez ofereceram alguma parte do vosso Eu a outra pessoa (ou a algo), assumindo em contrapartida uma outra narrativa? Não teremos todos nós já confiado parte da nossa personalidade a um qualquer sistema ou ordem superior? E se o fizemos, não terá acontecido esse Sistema ter, a dada altura, exigido de nós algum tipo de loucura? A narrativa que agora é vossa, será ela real e verdadeiramente vossa? Os vossos sonhos serão realmente os vossos próprios sonhos? Não poderão ser as visões de outrem que mais tarde ou mais cedo se poderão transformar em pesadelos?
Já alguma vez ofereceram alguma parte do vosso Eu a outra pessoa (ou a algo), assumindo em contrapartida uma outra narrativa? Não teremos todos nós já confiado parte da nossa personalidade a um qualquer sistema ou ordem superior? E se o fizemos, não terá acontecido esse Sistema ter, a dada altura, exigido de nós algum tipo de loucura? A narrativa que agora é vossa, será ela real e verdadeiramente vossa? Os vossos sonhos serão realmente os vossos próprios sonhos? Não poderão ser as visões de outrem que mais tarde ou mais cedo se poderão transformar em pesadelos?
(Underground - Haruki Murakami)
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
10/17/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
actualidades,
livros
Thursday, October 15, 2009
muitas coisas p/ comentar mas... pouco tempo para o fazer

embora o caso em si seja desinteressante, já levantou poeira nos meios de comunicação, provávelmente na falta de assunto melhor.
A verdade é que o vídeo é um espectáculo de mau gosto sobre si mesma do príncipio ao fim. A actriz Maite Proença debocha com Portugal e portugueses e ainda se lembra de cuspir no final do vídeo.
Do ponto de vista psicológico não deixa de ser fascinante a necessidade de atirar lama a uma nação que diz gostar muito; parece que mesmo gostando, (?) há uma violência latente, interior, que é preciso atirar cá para fora a qualquer preço, mesmo usando meios mesquinhos.
Quando vi o vídeo na comunicação social fiquei com uma única nota a ecoar na mente:
-porquê isso?!
Depois lembrei que não faz muito tempo, ela foi autora de uma opinião, em que defendia a caça... como meio de os rapazes exteriorizarem a violência...
Na altura foi contestada, é claro, por todos os que respeitam os animais e sobretudo por todos os que não acreditam na violencia como modo desejável de resolver seja o que for.
Mas há muitos tipos de violência... e nesse vídeo tambem há violência, insidiosa e desnecessária
ou forma de expressar desastradamente algum incómodo interior
Como argumento justificativo ela só encontrou um pouco convicto " acho que está faltando humor nos portugueses".
Então 'tá.
Quanto ao argumento mais que batido tipo-último-recurso que ninguem se deveria sentir ofendido, isso é próprio de quem não tem auto-estima sólida e só procura elogios, bla-bla-bla, acho que é sem comentários, porque não está causa o alvo mas o despropósito de um comportamento pouco saudável.
E, para mim não interessa serem brasileiros, portugueses ou qualquer outra nacionalidade, minha pátria é o planeta terra e todos os seus habitantes deveriam ser irmãos (não estou falando só de pessoas, mas de todos os seres).
Há, há, deixem-me lá expressar a minha utopia.
Utopias à parte, que tal um pouco de bom senso e educação?!
Já li várias palavras interessantes e inteligentes sobre o tema, mas nada me parece tão bem neste momento como deixar nas mãos da querida Hazel algumas considerações doces e firmes sobre o assunto.
E que as aparências, como algumas pessoas mais argutas percebem, nem sempre são o que parecem... rss... e lá até ficamos a saber que um três invertido pode ser bem mais que... um três invertido!
Etiquetas:
comportamentos
Wednesday, October 07, 2009
mais um... recomendo!
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
10/07/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
filmes
vi e gostei -b-a-s-t-a-n-t-e!
...e se o percurso de vida fosse da morte para o nascimento?!
Publicada por
Marian - Lisboa - Portugal
em
10/07/2009
No comments:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
filmes
Tuesday, September 29, 2009
a importancia do agora...

[...]
Sim, a felicidade é tênue, tem a pureza de um momento fortuito e ao mesmo tempo profundo, que marca o coração e a alma de quem se abre para vivê-la. O amor que brilha no coração de alguém que também amamos, pode ser fugidio e se não o colhermos quando acontece, pode se distanciar de nós, esquecido e desprezado, sem cumprir a sua missão de nos banhar o coração com uma doçura maravilhosa! Um abraço dado e recebido num momento de emoção traduz tanto, que as palavras se mostram desnecessárias e pobres, depois dele.
No agora, sentimos. Verdadeiramente. Seja dor, ou felicidade. Vivemos integralmente a realidade de nossas almas. E nos conectamos com o Ser que nos habita e que nos ama como ninguém!
Pensar sobre a vida, não é o mesmo que viver a vida. Será que é pequena esta diferença, ou é toda a diferença do mundo?
[...]
Enfim, vamos nos convidar a viver cada instante da forma mais completa possível? Ouvindo, sentindo, percebendo-se, entregando-se? Veremos, assim, quanto da nossa vida já desperdiçamos, infelizmente sem que possa haver retorno para isto. Mas um pequeno instante bem vivido pode ser inesquecível, transformador, se estivermos atentos a ele.
[...]
*excerto de um dos textos no somostodosum desta semana*
Etiquetas:
comportamentos
Thursday, September 17, 2009
voce sabe o que é um savant?!

(caracterização dos savants)

Daniel_Tammet, (primeiro à esquerda) é talvez seja um dos mais conhecidos savants da actualidade, embora de forma alguma o único. O ponto especial é que ao contrário da maioria dos savants, ele não perdeu competencias sociais -se relaciona bem interpessoalmente. A foto foi retirada do blog dele
o site de Daniel_Tammet
Etiquetas:
actualidades,
pessoas públicas
Wednesday, September 09, 2009
só tenho uma palavra...

( http://www.portaldaliteratura.com/livros.php?livro=3666 )
...acerca dos livros de Haruki Murakami:
S-O-B-E-R-B-O-S.
*
Depois do espantoso Kafka virei-me para Crónica do Pássaro de Corda, imenso e igualmente fascinante.
Etiquetas:
livros
Subscribe to:
Posts (Atom)