Wednesday, September 20, 2006

O Efeito Borboleta, o filme


No somostodosum desta semana

Evan Treborn, vivido pelo ator Ashton Kutcher, perdeu o sentido do tempo. Ainda criança, vive verdadeiros lapsos temporais, onde eventos significativos da sua vida caem no buraco negro do esquecimento.

A juventude cheia de frustrações é repleta de acontecimentos dolorosos, dos quais alguns ele não consegue recordar. Evan Treborn assiste às vidas das pessoas a seu redor, em especial de seus amigos de infância - Kayleigh (Amy Smart), Lenny (Elden Henson) e Tommy (William Lee Scott) - serem alvo de duros reveses.

Sob cuidados psicológicos desde a infância, ele é incentivado a escrever um diário, onde registra sua atormentada existência. Na faculdade, aparentemente livre das “crises” de lapso de memória, Evan, em determinado momento do filme é levado a rever seus diários, e no instante em que começa a ler suas memórias, sente algo espantosamente inexplicável: faz uma viagem no tempo, ao passado.

Evan Treborn percebe que os cadernos-diários guardados desde a infância são um veículo que o leva de volta ao passado, para recuperar as memórias “perdidas”. Entretanto, as recordações trazidas ao presente carregam uma alta carga de “culpa”, fazendo com que ele sinta-se responsável pelas vidas destruídas dos amigos - um deles com sérios traumas emocionais - principalmente a vida de Kayleigh, a namorada da infância, que ele continuou a amar até adulto.Descobrindo a possibilidade de “viajar no tempo”, Evan começa a voltar sequencialmente ao passado - pois pode manter a mente de adulto no corpo de criança - decidido a fazer coisas da qual era incapaz na época, para tentar reescrever a VIDA e poupar aos amigos e às pessoas queridas aquelas experiências traumáticas.

Entretanto, toda a vez que Evan Treborn MUDA UM ACONTECIMENTO PASSADO, ao voltar ao presente, descobre que seus atos tiveram CONSEQÊNCIAS INESPERADAS E DESASTROSAS NO PRESENTE.

O personagem vai aos poucos percebendo uma dinâmica existencial, muito mais intrincada e complexa do que poderia supor, além do raciocínio cartesiano da temporalidade linear de passado-presente-futuro.O filme aborda a questão da “LEI DE AÇÃO E REAÇÃO”, utilizando os princípios da chamada TEORIA DO CAOS, que preconiza a existência do EFEITO BORBOLETA.

2. A TEORIA DO CAOS (O EFEITO BORBOLETA).Filha da cibernética e da teoria da informação, a TEORIA DO CAOS surgiu no séc. XX, em meados da década de 60 com as elaborações do matemático Benoilt Mandelbrot a respeito do tempo metereológico. Os trabalhos de Mandelbrot começavam nos limites da ciência clássica, que era extremamente influenciada pela invenção do relógio. O relógio simbolizou para muitos cientistas, a ordem do universo, porque seus movimentos são “totalmente previsíveis”.

Na visão cartesiana da natureza proposta pela ciência tradicional, bastava “desmontar” os fenômenos do universo, para conhecer seu funcionamento, e essa visão mecanicista do mundo ganhou uma metáfora no DEMÔNIO DE LAPLACE. O cientista francês propôs que se uma “consciência” soubesse todos os dados de todas as partículas do universo e fosse capaz de fazer os cálculos necessários, teria condições de prever o seu funcionamento com perfeição. O Demônio Laplaciano teria diante de si O PASSADO, O PRESENTE E O FUTURO.
[...]
continuando...

(artigo de Victor Sergio de Paula )
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