Saturday, February 23, 2008

gentes e arquétipos...

(foto)

* os textos abaixo estão identificados quanto às diversas proveniências e, porque os achei bem articulados e informativos sobre os temas em questão, -nalguns casos pertencentes a sites interessantes; trouxe-os até aqui para uma melhor divulgação
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O casamento forçado de Zeus com Hera é um exemplo óbvio. Hera é um dos nomes da Deusa-Mãe original na Grécia pré-helênica, e seu templo na ilha de Samos é um dos templos gregos mais antigos dedicados a uma divindade. Invasores patriarcais vindos do norte tomaram conta de seus lugares sagrados e impuseram a ela um marido, o deus celeste deles, Zeus. Os mitos nos contam que o “casamento” não foi feliz, mas que claramente simboliza essa fusão incômoda e constrangedora de culturas matriarcais e patriarcais.
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Somos filhos de uma família abalada por um terrível divórcio: vivemos com o pai apenas e somos proibidos de mencionar o nome da mãe ou de lembrar das cálidas e alegres épocas em que vivíamos em seus braços. Tendo apenas a orientação do pai, apesar de seu amor, tornamo-nos endurecidos, implacavelmente heróicos e severamente puritanos ao tentar esquecer a segurança perdida e a confiança sensual na terra que outrora a Mãe nos proporcionava.
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Em nossa reverência exclusiva ao princípio paterno, em que suprimimos ou menosprezamos o feminino, acabamos provocando sérios danos à nossa saúde psíquica individual e coletiva. Isso sem mencionar a saúde física de nosso corpo e do próprio planeta Terra.
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"Os homens também são influenciados pela energia das Deusas, pois estas quase certamente espelham energia feminina na psique masculina - embora, via de regra, os homens vivenciem-nas como exteriores a si próprios, ou seja, como mulheres pelas quais são atraídos ou pelas quais se sentem fortemente provocados.
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A proposta deste trabalho é confrontarmos essas deusas dentro de nós, conhecermos a fundo aquelas que nos atraem e as que repelimos, em nós ou em outras mulheres. E assim podermos, enfim, integrarmos todas as qualidades deste feminino ferido por séculos de perseguição e reconciliarmo-nos conosco e com o mundo."
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autora e obra

Deusas virgens/independentes:

Artemís: Deusa da caça e da Lua.
Atenas: Minerva para os romanos, era a Deusa da Sabedoria e da arte feita a mão.
Hestia: Deusa do Lar, Vesta para os romanos; presente nas casas e nos templos como o fogo e o centro do lar. Representa o arquétipo do centro espiritual da personalidade da mulher.

Estas três Deusas simbolizam a capacidade de independência e a auto-suficiência nas mulheres.
Não se apaixonavam, pois os apegos emocionais não as desviavam do que elas consideravam importante; não eram vitimadas e não sofríam.
Elas representam a atitude de quem alcança as suas metas e além disso possui pensamento lógico.
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Deusas vulneráveis: (arquétipos de esposa, mãe e filha)
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Hera: Juno para os romanos; Deusa do casamento.
Deméter: Ceres para os romanos, Deusa das colheitas (-e maternidade)
Perséfone: simboliza a filha. (tambem renascimento após o caos e mediunidade)
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Deusas Alquímicas:
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Afrodite: Deusa Vênus dos romanos; teve muitas aventuras e descendência como resultado dessas relações. Iniciava as relações por decisão própria e nunca foi vitimada; comparte o arquétipo da autonomia com as Deusas virgens, e estabelece relações significativas como as Deusas vulneraveis.

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O arquétipo do pai:

Zeus, o deus do céu: o reino da vontade e do poder
Posêidon, deus do mar: o reino da emoção dos instintos
Hades, deus do mundo inferior: reino das almas e do inconsciente
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A geração dos filhos:

Apolo, deus do sol: arqueiro, legislador, filho predileto

Hermes, deus mensageiro e guia das almas comunicador, traquinas, viajante
Ares, deus da guerra: guerreiro, dançarino, amante

Hefesto, deus da forja artífice, inventor, solitário

Dioniso, deus do vinho e do êxtase: místico, amante, nômade


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Nada a ver necessáriamente com os anteriores, mas já que estamos navegando por arquétipos condicionantes da natureza humana actual, aproveito para deixar mais um, fortíssimo e encarnação do mal na versão pública da igreja católica... os nomes são muitos e um deles é:

"Psicologicamente, Satan pode ser estudado como um arquétipo, uma estrutura inata do inconsciente, que demanda inteligência, energia e poder, conhecida como a Sombra. Satan é a grande fórmula da transpessoalidade, conhecida vulgarmente como iluminação. Este é o grande segredo oculto de algumas ordens iniciáticas, que trabalham com seu arquétipo às escondidas, inclusive no seio do Cristianismo."
[...]
Contudo, houve um deus que não podia ser transformado em santo, porque ele era tremendamente celebrador da vida, musical, irreverente, viril, namorador de ninfas. Este deus era imensamente querido e celebrado pela massa, era um deus de chifres e cascos de bode, chamava-se Pan. Como os seus ritos eram muito orgiásticos, não podia ser absorvido pela Igreja Católica, pois esta recepcionou uma parte do seu cerimonial no culto persa de Mitra, muito popular entre os soldados romanos, que pregava a castidade como forma de evolução espiritual, e que foram difundidos em Roma na época de Pompeu. Então foi transformado no diabo!
[...]
Na verdade, Satan representa uma rebelião contra esta fraude religiosa. Vejamos o sentido de rebelião nas palavras de Alberto Cousté: “Santo Anselmo de Canterbury, em De casu Diaboli, atribui a rebelião de Satan ao desejo de ter uma vontade própria, ou seja, à sua vocação pela liberdade. Sabemos que os anjos, como os homens, gozam por decisão divina de livre-arbítrio, e esta responsabilidade é praticamente a chave de toda a ontologia. Com efeito, se a liberdade dos filhos consistisse exclusivamente em realizar os desejos dos Pais, em lugar de anjos e homens falaríamos de marionetes, além do que ninguém diferiria essencialmente de seus congêneres. Desde que reconhecido como Senhor, o Diabo é bom pagador e tem com que pagar; sua moeda é o conhecimento, único caminho que assinala aos homens para livrar-se do temor, da reverência e da submissão a um Deus remoto e sempre indiferente.”
[...]
É óbvio que há uma inversão de papéis na Bíblia. Javeh é que é o verdadeiro demônio, não Satan. Observe-se que não há nenhum Evangelho Segundo Satan. Nunca houve direito de resposta ao suposto ente que tem levado a culpa de todas as estupidezes humanas nestes 2000 anos. Até mesmo nos julgamentos humanos dos crimes mais hediondos sempre se dá direito de resposta ao réu, é a célebre máxima latina audiatur et altera pars, que significa seja ouvida também a parte adversa. Trata-se, por conseguinte, a Bíblia, de um livro extremamente parcial.
[...]
Então, a explicação é outra, simbólica, citada anteriormente. Deus é uma essência inerente ao ser humano e a toda existência (não apenas física). Satan é o grande fator de transformação humana, o homem deixa de ser um animal para se tornar o seu próprio Deus. Há também o aspecto kundalínico na serpente, eis que a energia sexual faz parte do processo. Afinal, sexo é o portal da vida, o criador de vida, não apenas corporal, mas magicamente é considerada de maior importância. O homem é a chave e a mulher é o portal, por onde transpassam todas as criações do universo.
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1 comment:

  1. oi marian!
    comentários muito interessantes, amei a inclusão de satan como arquétipo... afinal não podemos ignorar as construções do cristianismo, mesmo porque são feitas em cima de modelos mais antigos ainda. penso que pan e dioniso (com seu desregramento) pra não mencionar outras sincronias, foram amalgamados em satan. obrigada pelos links e bom domingo.

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