Sunday, September 19, 2004

...Meditação + Tigre...



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Sentiram o hálito do grande felino na cara, uma baforada de ar quente e fétido que lhe saia das fauces. Outro rugido temível estremeceu o ambiente. O tigre aproximou-se a poucos centímetros dos homens e estes sentiram a picada dos seus duros bigodes. Durante alguns segundos que pareceram intermináveis, rondou-os, farejando-os e tacteando-os com a sua patorra enorme, mas sem os agredir. O mestre e o discípulo permaneceram completamente imóveis, abertos ao afecto e á compaixão. O tigre não sentiu neles temor ou agressão, apenas empatia, e, uma vez satisfeita a sua curiosidade, retirou-se com a mesma dignidade solene com que tinha chegado.

-Como vês, Dil Bahadur, às vezes a calma serve para alguma coisa... –foi o único comentário do lama. O príncipe não conseguiu responder, porque a voz lhe ficara presa no peito.

Apesar daquela visita inesperada, decidiram ficar e passar a noite em Chenthan Dzong, mas tomaram a precaução de dormir ao pé de uma fogueira, mantendo à mão um par de lanças que encontraram entre as armas abandonadas pelos monges tao-shu. O tigre não voltou, mas na manhã seguinte, quando retomaram novamente a marcha, viram as suas pegadas sobre a neve refulgente e ouviram ao longe o eco dos seus rugidos nos cumes.
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